7/03/2008

A História Que Nunca o Foi

“Sentado no presente, que já é passado, recordava o passado longínquo e sonhava, sonhava com o futuro, um futuro que nunca teria.”

Este poderia ser o princípio de uma longa história, mas não o será, porque o futuro morreu na tristeza do olhar.

Um olhar que não abria janelas à imaginação. Um olhar que transbordava segurança. Ali tudo era certeza, tudo era real, tão real que até tristeza se podia sentir, tocar e saborear, no gosto salgado das lágrimas que lhe corria pela alma.

Na alma sim! Pois no rosto o mesmo sorriso de sempre. Aquele sorriso que cativa ao primeiro olhar, que apaga a tristeza dos olhos do mundo cruel.

Esta poderia ser uma longa história, mas não o será, porque esta história nunca começou.

Resta sonhar, deste presente que não o é, com a vista naquele futuro que nunca o será, e assim nunca haverá um passado para recordar.

Esta á história da história que nunca aconteceu.

Restava-lhe apenas sonhar que tinha acontecido…



2/27/2008

... --- ... (ou SOS)

Nestes dias só me apetece sair e gritar:

SOCORRO!!!!!!!!!!!!

-~-~-~-~-~~~- - ~~~

Nas ondas do teu mar
navega este meu barco,
estúpida bóia de salvação,
perdida
na imensidão de uma vida
que não se quer perdida.

Nas ondas do teu mar,
navega este meu coração,
sedento de paixão,
louco de aflição
para em teus lábios repousar.

Nas ondas do teu mar,
naufraga a minha esperança
no doce e amargo ondular
do temor de te ver naufragar
de perder o toque do beijo do teu olhar
que a minha alma faz vibrar
e sem mais mais acreditar
que ainda vale a pena sonhar

Ohh, quem me dera,
Nas ondas do teu mar poder navegar
Sem medo de me perder
Sem receio de teu nome cantar
Com a certa esperança
Que um dia nos iremos amar.

-~-~-~-~-~~~- - ~~~

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1/26/2008

Caminhos diferentes, destinos iguais.

Sei que não é comum colocar vídeos, penso mesmo que nunca o fiz, mas esta música é especial.

Tantas perguntas filosóficas... tantos porquês, tantos: why?

Talvez o porquê seja a essência da vida, o sal que condimenta e o fermento que nos faz crescer e ser mais.

- Mais do quê? - Perguntam vocês.
- Mais porquê?

Sei lá!

O que realmente sei é que sempre que ouço esta música ela leva-me pela mão a recordar de onde vim, os caminhos que percorri, as pessoas que encontrei, as almas que amei, os corpos a quem me dei, os mares ondulados, calmos, encapelados e lagos serenos que com as mãos acariciei.

Mas nem tudo foi assim tão calmo, tão azul sereno. Também me queimei. Vulcões de emoções cujas erupções recordo com carinho, com respeito e até com um pouco de medo, confesso.

É a adrenalina que sobe para doses que qualquer médico classificaria de fatais. É o tição vermelho ardente, calcinado no fogo das emoções a marcar a alma de forma indelével. O guincho ardente, profundo, como o de um bezerro assustado e lacerado na sua condição de virgem.

Tudo isto recordo num misto de dor, de paixão e de nostalgia e ao mesmo tempo com muita alegria, comoção e imenso prazer.

Tudo vivi, tudo recordo, tudo esqueço.

Como se fosse possível...

Não esqueço, jamais esquecerei. Posso até esquecer os lugares, os nomes, as datas, as horas, mas nunca esquecerei os rotos, o toque suave da pele, o convívio das mãos com o cabelos sedosos, os cheiros, as sensações, tudo o que não se disse, mas que se sentiu.

Os olhares, os beijos, as carícias... ooh as carícias, as do corpo e principalmente as da alma. O conforto da palavra, o aconchego do gesto, o contacto da pele, os lábios sedentos percorrem desertos procurando um oásis onde repousar, beber um pouco de água doce e fresca na fonte da vida eterna. A harmonia dos pensamentos. Desejar quem deseja ser desejado.

É isto tudo, e apenas um pouco, o significado desta música.

É isto tudo, e apenas um pouco, que hoje sinto. Não é uma saudade triste e nostálgica, mas uma saudade viva, alegre e cheia de esperança. Uma saudade que dá graças por tanto ter vivido, por ter uma alma repleta de cicatrizes de momentos que jamais esquecerei.



...Tell me why the road turns.


12/24/2007

O Espírito do Natal

Não gosto de deixar passar o natal sem pintar as paredes deste farol com luzinhas cintilantes e coloridas. Este ano esteve mesmo para acontecer, a magia do Natal enganou-se e foi desembarcar noutro oceano. Mas como este é um farol mágico, a história repete-se a cá está a luzinha de Natal.

A luz fosca do final de tarde de Dezembro, espraiava os últimos raios através das vidraças do atelier. Sabiamente virado a Norte, Sul, Este e Oeste, dispunha de gigantescas janelas, pelo tamanho dir-se-ia que eram portas para gigantes. Aquelas descomunais janelas abocanhavam com a voracidade de um tubarão a luminosidade indispensável para captar a natureza, a alma das pessoas e objectos que iniciavam a cominho da imortalidade nas telas dos quadros.

Pedro deu dois passos atrás. Inclinou ligeiramente a cabeça para a esquerda, depois para a direita, como faria um daqueles especialistas de arte, que de especialista tem apenas a vaidade. Não tinha o aspecto típico de um pintor. O cabelo bem penteado, a baba aparada e a roupa perfeitamente comum, algo clássica mesmo. Na roupa nem uma gota de tinta. Pode parecer incrível, mas Pedro não era um pintor comum.

Esticou o braço e pousou o pincel sobre a mesa de apoio à sua direita. Descolou os dedos da paleta multicolor e deslizou-a até à mesma, cuidadosamente para não se pintar. Cerrou os olhos e contemplou com todo o esplendor da sua imaginação a obra que acabara de finalizar. Era o culminar de muitas horas de dedicação exclusiva, de esforços sem graduação, de emoções, de risos e choros convulsivos, de gritos, de desejos de raiva reprimidos, em suma, a dor e a alegria num só, um pouco como o amor.

Mas agora, que podia celebrar o ter chegado ao fim, agora sentia que tinha valido a pena, todo o esforço, toda a dedicação tinham-lhe proporcionado uma recompensa satisfatória. A sua obra-prima estava finalmente terminada. Recordava ainda as primeiras aulas de pintura. Aquele professor, que de pintor tinha só o título que ele próprio se atribuíra.

Uma verdadeira besta, era o que ele era.

Zurrava–lhes aos ouvidos palavras de incentivo que desanimavam o aluno mais talentoso e empenhado. Na sua cabeça estava ainda fresca, tão fresca quando a tinta da paleta que acabara pousar, a humilhação com que o presenteara num das primeiras aulas. Em alto e bom som , bradou na sua costas um pergunto.

- Ó Sr. Pedro, julgava eu que estava a dirigir uma academia de belas artes, mas olhando para os seus quadros fico com a sensação de estar a dirigir uma escola profissional para pintores….de paredes. Onde estava ao senhor quando Deus distribuiu o talento? Quem o convenceu que algum dia poderia vir a ser um pintor, era realmente um óptimo vendedor… ou então pensava que eu era Deus e fazia milagres.

Desde aquele dia tomou conta dele uma enorme raiva, a vontade de demonstrar que poderia ser um verdadeiro pintor, nem fosse por uma única vez e produzir uma obra de arte. E ali estava ele, em frente à sua obra de arte, uma verdadeira obra-prima na qual conseguira captar a essência mais pura, o que de mais autentico havia para captar no espírito do Natal.

Era esse o tema do seu quadro: O espírito do natal.

Sem luzinha coloridas, sem neve artificial, sem pai natal, sem renas com nariz vermelho e nome de pessoa, sem inovações, sem compras, sem corridas e partidas e chegadas, sem falsos e ocos cartões de boas festas, sem beijos hipócritas, sorrisos fictícios e doces que, de tão doces até amargam o verdadeiro sentido do Natal.

Era uma obra de contestação e sabia que, como tal, muitos a haveriam de criticar, humilhar mesmo, mas que lhe importava a ele, pois era assim que a sentia, como um grito de desespero e alerta para todos quantos tinham embarcado naquele cruzeiro maravilhoso em direcção a… pois esse era o verdadeiro problema, aquele cruzeiro não tinha destino fixo.

Abriu os olhos, e contemplou mais uma vez o quadro. Estava perfeito. O equilíbrio das formas, a harmonia das cores, a unicidade dos elementos, a sua organização, a profundidade, a consistência geral, a simetria, tudo, tudo perfeito.

Absorvido pela intensidade da emoção do seu trabalho não percebeu que alguém acabara de galgar o último degrau da escada do farol e penetrara na cúpula de cristal, agira transformada em atelier de pintura e observatório dão mundo.

A mão doce e suave enroscada na sua cintura, o leve beijo no pescoço acordaram-no para a realidade.

- Está acabado? – Perguntou ela.

- Que te parece? – Disse Pedro.

- Acho que está perfeito, querido.

- Eu também.

- Já tem um título? – Perguntou ela delicadamente.

- Sim vou chamar-lhe: “Espírito de Natal”. Que te parece?

- Parece-me que…que… te Amo.

- Eu também. - Disse ele abraçando-a. Ao longe, no horizonte o último raio de sol definhava dando lugar à noite escura, pintalgada no horizonte distante por luzinhas que piscavam anunciado o Natal dos homens.

No quadro, em fundo cru de tela, brilhava inexplicavelmente a palavra AMOR em grandes letras pretas!

Esse era o verdadeiro espírito do Natal, uma luzinha que, do cimo do farol, brilhava intensamente para todo o mundo.

Feliz Natal!

Crédito da imagem a este senhor.

Desculpem as gralhas, depois corrijo, afinal é Natal!


8/28/2007

Apenas Mais Um Dia... Banal

Parecia que se tinha tornado um vício escrever-lhe à noite. E lá estaria ela, mais uma vez, no dia seguinte (ou no mesmo dia, apenas umas horas mais tarde) ao chegar ao seu local de trabalho e ao ligar o computador lá estaria mais uma luzinha, um raio de sol, ou talvez nada disso, talvez mais uma lágrima, um grito de dor, daqueles que se espetam sem anestesia profundamente na alma, ou simplesmente uma simples nuvem negra a ameaçar borrasca, para ensombrar o começo de um novo dia.

Na verdade não sabia bem como olhava ela estas mensagens, tinha sempre muitas dúvidas antes de as enviar, mas relendo o seu mail de ontem, um que começava com “Vou ser breve, porque quero e tenho que ser breve…”, que mais lhe podia dizer, que mais lhe podia dizer com palavras que ela não tivesse já compreendido pelos actos?

Voltando o pensamento para a sua última mensagem, cada vez que a lia vários pensamentos dominam a sua mente, é claro que não lhe ia contar nenhum, não acreditasse que lhe fizesse bem ouvir alguns.

Depois de pensar um pouco, concordou com ela, pois deixar a vida ao acaso era perigoso, muito perigoso, talvez tanto ou mais perigoso do que o tinham (ou não tinham) presentemente. Apesar de tudo hoje portara-se bem e resistira a enviar-lhe um único sms durante o dia e nem mesmo à noite tinha capitulado ao desejo, à tentação. A vontade era muita, mas não o fizera. No fim sentia falta das suas palavras, ainda que fosse apenas na ponta dos dedos. Sentia a falta da razão que lhe dizia que “como não queremos, pronto, acabou.”, numa voz arrastada, em que cada palavra brota do canto do olho esborratada por uma enorme vontade de gritar algo bem diferente. Lembrava até um sorriso, um sorriso singelo, bonito mas que tivera a capacidade de o gelar por completo.

Partir ou ficar, que dói mais? Ainda não conseguira compreender. Com a mente pejada de imagens elas, dos escassos momentos em que estiveram a sós, contudo infelizmente nunca puramente sozinhos. Lembrar como a apertara …, lembrar, lembrar, lembrar, apenas lembrar um nada que mesmo assim teimava em ser tudo, um vazio repleto de pequenos nadas que preenchem um espaço infinito.

Não sabia o dia de amanhã, não o queria saber, e se alguém soubesse, o melhor mesmo é pegar na borracha, porque iria ter que apagar e corrigir muitas vezes, não lhe iria facilitar a vida, nunca o fizera e não era agora que o iria fazer.

O dia começara nos correios. Tinha o nº 745 e a última pessoa que o placard eletrónico libertara da prisão da espera tinha sido o 482, por isso decidiu deambular pelos expositores olhando os livros. É então que um livro sobre os signos em banda desenhada lhe despertou a atenção. Não era o seu estilo preferido, mas não pudera deixar de ler o que dizia do seu signo que também era o dela. Grande surpresa! Descobriu que não era nada do que lá estava,… bem nada, nada, também não era assim completamente . É claro que o pensamento voou para o pé dela e para as primeiros mensagens que trocaram há..., há tanto tempo.

Bolas, mas como conseguia e porque motivo ela se infiltrava nas coisas mais simples para que pensasse nela? Até um simples pacote de açúcar lhe lembrava a gargalhada do adoçante. Qual é o seu segredo, será que ela lhe conseguia ensinar… assim podia ser que conseguisse um antídoto para este veneno que lhe adoçava os dias.

Não iria escrever mais, hoje não, amanhã talvez, mas também não dava certezas, não queria que nenhum “master plan” tomasse conta de uma vida que era só dela e a mais nenhuma divindade pertencia. Ficavam por ali as palavras cansadas de hoje, afinal mais palavras para quê, quando as palavras calam as emoções que os sentimentos bradam,… mais palavras para quê.

Não sei se ela conseguiria chegar até ali, ou se apenas leria o primeiro parágrafo e como lhe tinha aconselhado, reciclara prematuramente os bits e os bytes daquela mensagem, para que outros sentimentos se propaguem pelos caminhos, nem sempre rectos, deste universo imperfeito, e no qual os sentimentos mergulham e se afogam num oceano de regras, normas, princípios, costumes, tradições, num oceano em que a fronteira entre o certo e o errado é aquela fina linha no horizonte que separa o mar do céu, e que nunca ninguém foi capaz de apagar.

Mas para o caso de chegar até aqui, então ficaria a saber que estava com ela apesar de…do oceano que os separava.

E assim terminava mais um dia, um dia simples, banal e sem emoções...

...um dia triste sem Amor.



Refúgio de Amor

A lua nova estava opulenta, irradiando um brilho que ofuscava a claridade da noite. Parado na soleira da porta, admirava aquele céu incrivelmente brilhante despido de estrelas. Apenas uma ou duas estrelas mais teimosas, lutavam por um lugar no olhar, todas as outras tinham sido ofuscadas pela beleza da lua.

A beleza daquela luz contrastava com a escuridão que reinava no seu interior. Bem, na verdade nem sabia se era escuridão. Aquele era um daqueles dias em que sentia que nem sabia como se sentia.

Que confusão! Até as palavras reflectiam a profunda desordem que reinava no seu interior. Inspirou fundo tentando aspirar toda a luz daquela noite, podia ser que ela o ajudasse a iluminar os seus sentimentos. Inclinou o tronco para a frente em claro desequilíbrio, prontamente corrigido pelas pernas, dando início à marcha.

Não tinha propriamente um destino, ou uma rota, mês tinha esperança que aquela caminhada servisse para colocar alguma ordem nos pensamentos e racionalizar o que sentia.

Na verdade era estranho, mesmo muito estranho pois sentia-se vazio, mas ao mesmo tempo estava completamente preenchido, cheio com um vácuo imensamente grande, também ele cheio de um vazio pleno, mas que, ao mesmo tempo servia para encher.

Como era possível, o vazio encher algo?

Ali estava uma boa questão filosófica.

Por momentos parou, parece que toda a sua energia tinha sido consumida instantaneamente. Era só o que estava necessitar. Já se sentia o suficientemente mal, para ainda ter de estar á procura de respostas a questões filosóficas, pensou. Mas talvez... se encontrasse a respostas aquela pergunta, talvez conseguisse compreender melhor o que sentia. Mas eram muito talvez, mas conseguir algo de concreto.

Na verdade sentia-se desprotegido, era isso, sentia-me como uma criança que se perdeu dos pais na colossal festa de verão. Centenas de caras passavam por ela, riam, gritavam, falavam, olhavam para ela a chorar, mas nenhuma lhe estendia a mão.

Sentia que necessitava de um abrigo, urgente! Não um abrigo com paredes e telhado, com portas e janelas. Não, definitivamente não era esse o abrigo que necessitava. O seu abrigo era diferente. O que lhe fazia realmente falta era um porto de abrigo, um refúgio sem limites, sem grades reais ou virtuais.

Sentou-se num pequeno banco, típico mobiliário urbano, como lhe chamam agora. Aquele banco poderia bem ser o seu refúgio, o seu porto de abrigo. Afinal não tinha limites, paredes ou telhado que o oprimissem.

O que muito simplesmente necessitava eram dois braços que o aconchegassem e duas mãos meigas que o acariciassem, e uma voz meiga, suave e encantada de uma sereia, que ao ouvido lhe cantasse uma bela melodia e lhe dissesse: Je T’adore.

Essa era o refúgio que mais desejava. O único que verdadeiramente o poderia proteger das tormentas que assolavam a agreste costa da sus existência. O murmurar do mar ao enrolar na areia dizendo: My Dear, Sweetie, Meu doce pecado, ai como a desejava ali.

Meteu a mão no bolso e apanhou o telemóvel. Sem pensar mais procurou na agenda o número dela para lhe ligar. Ligou e ficou a aguardar. Atrás de si um telemóvel tocou. Virou-se instintivamente, pois imaginou que … Apenas algumas pessoas que caminhavam ao longo da avenida e que por coincidência o telemóvel de uma tocou no instante em que passavam naquele ao banco.

Claro que não podia ser. O dela também tocaria, mas seguramente bem longe dali, tão longe que seria possível ouvi-lo. Desligou a chamada sem sequer tentar ver se ela tinha atendido. Voltou à posição inicial. Guardou o telemóvel no bolso e debruçando-se, resguardou a cabeça entre as mãos.

Era o único refúgio possível!

Começou então a sonhar, fantasiava com duas mãos que, por trás o abraçavam naquele momento, os lábios encostados ao seu ouvido murmuravam Adoro-te, e depois o beijavam. Era uma fantasia bela e tão desejada que quase lhe parecia real. Sentiu os braços, as mãos e até conseguiu ouvir a voz.

- Estavas a pensar em mim? -Mais uma vez em harmonia, não é?

Aquela voz, o calor da sua respiração, o trovejar suave, os micro-relâmpagos que provocava a pele dela encostada na dele e que lhe eriçava os sentidos era demasiado real para ser fruto da sua imaginação.

Virando-se lentamente, olhou-a profundamente nos olhos, acariciou-lhe o cabelo, o rosto, atravessou os lábios lentamente e beijo-a por fim disse-lhe:

- Contigo sinto-me seguro.

Ela era o seu refúgio, o seu porto de abrigo.


8/01/2007

Clamor de Amor

Suspiro
Suspiro longamente
Profundamente
Como o peixe
Que agoniza a vista da morte
Certa
Anunciada pelas redes
E alcançada
Nas mãos do pescador

Grito
Grito perdidamente
Mudo no desespero
Como a ave
Que se atravessa
No caminho da bala do caçador

Choro
Choro convulsivamente
Com uma criança
Um bebé
Sedento de leite
Sôfrego pela vida
Que jorra do peito
De sua mãe

Clamo
Clamo por ti
Pela pureza do teu sorriso
Pela doçura dos teus lábios
Pelo teu olhar meigo
Pelo calor da tua pele
Pela entrega plena
Pela intensidade
Pela paixão
Pela loucura
Brado por ti como um louco
Como uma criança travessa
Que
Sem pudor

Implora pelo teu Amor





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